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Instituto Federal de Pernambuco

Processo de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC)
Memorial Descritivo



INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO



RECONHECIMENTO DE SABERES E COMPETÊNCIAS – RSC-PCCTAE





MEMORIAL DESCRITIVO



IDENTIFICAÇÃO E DELIMITAÇÃO DO MEMORIAL

Servidora:Tatiana Lira de Freitas

Matrícula SIAPE: 2170345

Cargo efetivo: Assistente em Administração

Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE

Lotação/Exercício: Campus Recife

Nível pleiteado: RSC-PCCTAE VI

Classe/Nível: D-015

Período considerado: Período comprovado pelos documentos apresentados


Este memorial foi elaborado exclusivamente a partir das evidências documentais apresentadas. A narrativa articula experiências profissionais, responsabilidades institucionais, participação em ensino, pesquisa e extensão, gestão administrativa e produção de conhecimento, sem atribuir à servidora atividades não demonstradas nos comprovantes juntados.


1 APRESENTAÇÃO

Apresento este Memorial Descritivo com a finalidade de demonstrar os saberes e as competências construídas ao longo da minha atuação como Assistente em Administração do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. Os documentos reunidos evidenciam uma trajetória que ultrapassa a execução de rotinas administrativas e alcança responsabilidades de coordenação, substituição de funções de direção, fiscalização e gestão contratual, participação em processos seletivos, ensino e extensão, pesquisa e produção e difusão de conhecimento.

A compreensão de competência adotada neste memorial parte da ideia de que o desempenho profissional não se resume à posse de conhecimentos formais. Le Boterf (2003) compreende a competência como capacidade de mobilizar recursos diante de situações profissionais concretas. Zarifian (2001) enfatiza iniciativa, responsabilidade e capacidade de responder a situações complexas. Fleury e Fleury (2001), por sua vez, associam competência à mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes que geram valor para a organização e para o indivíduo.

Essa perspectiva é complementada por Schön (2000), para quem a aprendizagem profissional se fortalece pela reflexão sobre a prática, e por Nonaka e Takeuchi (1997), que destacam a transformação de experiências e conhecimentos tácitos em conhecimento explícito, compartilhável e incorporável às práticas organizacionais. No contexto dos Institutos Federais, Pacheco (2011) reforça a indissociabilidade entre formação, trabalho, ciência, tecnologia e compromisso social, dimensão especialmente pertinente a uma trajetória que articula gestão administrativa, ensino, extensão e pesquisa.


1.1 Objetivo geral

Descrever e analisar as experiências profissionais comprovadas, demonstrando como os saberes desenvolvidos em gestão pública, coordenação administrativa, contratos, planejamento, processos seletivos, educação profissional, extensão, pesquisa e produção de conhecimento sustentam o reconhecimento das competências profissionais no âmbito do RSC-PCCTAE VI.


1.2 Objetivos específicos


  1. Relacionar as experiências profissionais às evidências documentais apresentadas;
  2. Evidenciar a progressiva ampliação das responsabilidades assumidas no IFPE;
  3. Explicitar os conhecimentos técnicos, administrativos, educacionais e gerenciais mobilizados;
  4. Demonstrar a articulação entre atividade técnico-administrativa e as finalidades de ensino, pesquisa e extensão;
  5. Sistematizar a produção e a difusão de conhecimento científico e técnico comprovadas;
  6. Apresentar uma matriz de aderência entre as evidências e os critérios indicados na documentação do processo.


2 TRAJETÓRIA E IDENTIDADE PROFISSIONAL

A documentação apresentada revela uma trajetória profissional marcada pela circulação entre diferentes dimensões da administração institucional. Ao longo do período comprovado, assumi funções relacionadas à Coordenação de Manutenção e aos Serviços Gerais, Coordenação de atas, Controle e acompanhamento de custos, Planejamento e orçamento, Execução orçamentária e financeira, além de substituições em Departamentos e Diretorias. Essa diversidade favoreceu a construção de uma visão sistêmica sobre o funcionamento do Campus Recife.

Entre maio de 2019 e abril de 2020, exerci função gratificada FG-02 vinculada à Coordenação de Manutenção, Transporte e Serviços Gerais. A experiência aproximou a gestão administrativa das necessidades concretas de infraestrutura e continuidade dos serviços. De maio a setembro de 2020, permaneci na função de coordenação FG-02 e, a partir de outubro de 2020, passei a exercer a função de Coordenação de Atas, permanecendo em exercício continuado até dezembro de 2024. Em dezembro de 2024, fui designada para a Coordenação de Controle e Acompanhamento de Custos, também FG-02.

Paralelamente às funções titulares, os registros funcionais demonstram sucessivas substituições em unidades de maior complexidade: Coordenação de Planejamento e Orçamento, Coordenação de Execução Orçamentária e Financeira, Departamento de Compras e Licitações, Departamento de Planejamento e Controle, Departamento de Infraestrutura, Administração e Manutenção, Diretoria de Administração e Diretoria de Assistência ao Estudante. Essas substituições exigiram capacidade de adaptação, leitura rápida do contexto, continuidade decisória e responsabilização temporária por processos estratégicos.

A trajetória administrativa foi acompanhada por experiências diretamente vinculadas à atividade-fim. Atuei como docente no PRONATEC, ministrando Inclusão Digital, participei de grupo de extensão, avaliei projeto de extensão, integrei grupo de pesquisa, produzi produto educacional e participei da publicação e apresentação de trabalho científico. Esse conjunto demonstra que a experiência técnico-administrativa se desenvolveu em interação com ensino, pesquisa e extensão.


3 REQUISITO I – PARTICIPAÇÃO INSTITUCIONAL E PROCESSOS SELETIVOS


3.1 Critério 1.3 – participação em comissão institucional

Em 2016, fui designada como representante técnico-administrativa titular para compor a Comissão Própria de Avaliação do IFPE. A participação em uma CPA envolve leitura institucional, análise de informações, diálogo entre segmentos e compromisso com processos de avaliação e melhoria. A experiência contribuiu para ampliar minha compreensão sobre qualidade institucional, participação coletiva e uso de evidências na gestão.

Sob a perspectiva de Senge (2013), a aprendizagem organizacional depende da capacidade de compreender relações entre diferentes partes do sistema. A experiência em avaliação institucional favoreceu justamente essa passagem de uma visão restrita à unidade de trabalho para uma leitura mais ampla da instituição.


3.2 Critério 1.5 – atuação em processos seletivos, vestibulares e ENEM

A documentação comprova minha participação como fiscal de sala no Vestibular IFPE 2018.1 e minha atuação como certificadora na Rede Nacional de Certificadores do INEP em edições do ENEM, incluindo registros de 2021, 2023 e 2024. Essas atividades exigem observância estrita a procedimentos, imparcialidade, confidencialidade, responsabilidade documental, controle de ocorrências e compromisso com a isonomia dos processos.

Embora realizadas em momentos específicos, tais experiências possuem relevância institucional porque os processos de ingresso e avaliação educacional dependem de execução padronizada e confiável. A competência, nesse caso, manifesta-se na capacidade de aplicar normas e protocolos em situações de elevada responsabilidade, o que se aproxima da noção de profissionalismo responsável apresentada por Zarifian (2001).


4 REQUISITO II – ENSINO, PESQUISA, EXTENSÃO E AVALIAÇÃO


4.1 Critério 2.2 – atuação em ensino e extensão

No âmbito do PRONATEC, atuei como docente da disciplina Inclusão Digital, nos cursos de Editor de Projeto Visual Gráfico e Programador Web, entre janeiro e abril de 2018, totalizando 84 horas. A experiência demandou planejamento didático, domínio de conteúdos de tecnologia, comunicação pedagógica e adaptação às necessidades dos estudantes.

Também participei do grupo de extensão “Mulheres na Mecânica: promovendo seu acesso”, no período de 1º de abril de 2024 a 10 de julho de 2025. A participação em extensão amplia a relação entre instituição e sociedade e exige cooperação com docentes, técnicos e demais participantes. No contexto da educação profissional, essa articulação aproxima-se da concepção de Pacheco (2011), para quem os Institutos Federais devem integrar formação, trabalho, desenvolvimento social e intervenção territorial.


4.2 Critério 2.7 – avaliação de trabalho de extensão

Em 2021, participei como avaliadora do projeto de extensão “Educação democrática e Direitos Humanos”, durante a IX Mostra de Extensão Prof. Jessé Sena. Avaliar uma proposta institucional demanda leitura crítica, compreensão dos objetivos extensionistas, julgamento fundamentado e responsabilidade na emissão de parecer. A atividade demonstra mobilização de conhecimentos para além da rotina administrativa, contribuindo para a qualificação das ações de extensão.


5 REQUISITO IV – RESPONSABILIDADES TÉCNICO-ADMINISTRATIVAS


5.1 Critério 4.3 – fiscalização e gestão de contratos e instrumentos

A documentação apresentada reúne designações relacionadas à fiscalização de contratos e à gestão de instrumentos administrativos. Em 2026, fui designada Gestora Titular do Termo de Execução Descentralizada nº 16760, referente à construção do Refeitório Estudantil do Campus Recife. A portaria atribui ao gestor responsabilidades de apoio à prestação de contas, atendimento às demandas da unidade descentralizadora, acompanhamento das exigências orçamentárias e financeiras e observância das diretrizes aplicáveis ao TED.

A gestão de contratos e de instrumentos de descentralização de recursos exige conhecimentos de administração pública, conformidade, acompanhamento físico-financeiro, gestão de riscos, documentação e prestação de contas. Mais do que cumprir formalidades, a responsabilidade consiste em assegurar que recursos públicos sejam convertidos em entregas institucionais adequadas. Essa dimensão evidencia competência aplicada, na acepção de Le Boterf (2003), pois demanda mobilização integrada de conhecimentos, experiência e julgamento diante de situações reais.


6 REQUISITO V – FUNÇÕES DE CONFIANÇA, COORDENAÇÃO E SUBSTITUIÇÕES


6.1 Critério 5.4 – substituições em cargos de direção

Os registros funcionais demonstram atuação como substituta em cargos de direção e chefias de departamento. Entre as unidades comprovadas estão o Departamento de Compras e Licitações, o Departamento de Planejamento e Controle, o Departamento de Infraestrutura, Administração e Manutenção, a Diretoria de Administração e a Diretoria de Assistência ao Estudante. Em alguns casos, as substituições ocorreram de forma reiterada ao longo de diferentes exercícios.

Responder temporariamente por unidades dessa natureza exige continuidade administrativa, priorização, tomada de decisão, articulação com equipes e compreensão dos riscos associados aos processos sob responsabilidade da unidade. As substituições, portanto, constituíram espaços de aprendizagem profissional intensiva e de ampliação da capacidade gerencial.


6.2 Critérios 5.5 e 5.6 – exercício de funções gratificadas e responsabilidades de coordenação

A trajetória funcional demonstra exercício continuado de funções gratificadas. Em 2019, fui designada para a Coordenação de Manutenção, Transporte e Serviços Gerais, código FG-02. Os assentamentos registram exercício titular de FG-02, entre 1º de maio de 2019 e 30 de abril de 2020, novo período de coordenação entre maio e setembro de 2020, e exercício de coordenação FG-02, entre outubro de 2020 e dezembro de 2024.

Em dezembro de 2024, após a dispensa da Coordenação de Atas, fui designada para a Coordenação de Controle e Acompanhamento de Custos do Campus Recife, também FG-02, função que consta como ativa Coordenações de Planejamento e Orçamento e Coordenação de Execução Orçamentária e Financeira, ambas FG-01.

A permanência em funções de confiança demonstra responsabilidade continuada e capacidade de coordenação. Planejar, acompanhar custos, organizar demandas, controlar informações e responder pela continuidade de serviços são atividades que articulam conhecimentos técnicos e competências relacionais. Fleury e Fleury (2001) ajudam a compreender essa trajetória como processo de mobilização de saberes que agrega valor à organização e amplia a capacidade profissional do indivíduo.


7 REQUISITO VI – PRODUÇÃO, PROSPECÇÃO E DIFUSÃO DE CONHECIMENTO


7.1 Critério 6.7 – participação em grupo de pesquisa

Integrei, como estudante de mestrado profissional, o grupo de pesquisa “Organização, memórias e práticas educativas na Educação Profissional e Tecnológica”, vinculado ao IFPE, com registro de inclusão em 14 de novembro de 2019. O grupo desenvolve estudos sobre processos educativos relacionados ao mundo do trabalho, à produção do conhecimento e à integração entre Trabalho, Ciência, Cultura e Tecnologia.

A participação em grupo de pesquisa constitui espaço de socialização acadêmica, construção coletiva de problemas de investigação e desenvolvimento da capacidade de análise. Ela também evidencia a aproximação entre a experiência profissional e a investigação sistemática, fortalecendo a reflexão sobre a prática descrita por Schön (2000).


7.2 Critério 6.10 – publicação científica

Em coautoria com Valquiria Farias Bezerra Barbosa, publiquei o trabalho “Desafios à integração entre a Educação de Jovens e Adultos e a Educação Profissional e Tecnológica” nos Anais do VIII Encontro de Pesquisa Educacional em Pernambuco – EPEPE, vinculados ao ISSN *****-8153.

A publicação representa a sistematização de conhecimentos produzidos no campo da Educação Profissional e Tecnológica e sua disponibilização à comunidade acadêmica. Na perspectiva de Nonaka e Takeuchi (1997), esse movimento converte conhecimentos e experiências em registros explícitos, permitindo circulação, crítica e reutilização do conhecimento.


7.3 Critério 6.11 – apresentação de trabalho científico

O mesmo trabalho foi apresentado, na modalidade Artigo Completo, no VIII Encontro de Pesquisa Educacional em Pernambuco, realizado de 23 a 25 de novembro de 2021. A apresentação científica mobiliza competências de síntese, comunicação, argumentação e interlocução acadêmica, além de submeter o conhecimento produzido ao debate entre pesquisadores e profissionais da educação.


7.4 Critério 6.12 – produto educacional

No âmbito do ProfEPT, desenvolvi produto educacional associado à linha de pesquisa Práticas Educativas em Educação Profissional e Tecnológica, intitulado “Minicurso auto instrucional: Introdução às Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação na EPT: alternativas orientadas à inclusão digital”, disponibilizado em 2022 no repositório institucional https://portal.ifpe.edu.br/olinda/cursos/pos-graduacao/mestrado/profept/dissertacoes-e-produtos-educacionais/. O produto traduz conhecimento acadêmico em recurso educacional aplicável e acessível por meio do link https://view.genial.ly/62867a590af8140017ee3d2a/learning-experience-didactic-unit-pe-introducao-a-tdic-na-ept-alternativas-orientadas-a-inclusao-dig .


A produção de um recurso educacional evidencia uma etapa adicional da competência profissional: não apenas compreender ou pesquisar um problema, mas transformar o conhecimento em solução formativa passível de uso por outras pessoas. Essa capacidade de codificar e compartilhar saberes aproxima-se diretamente da criação do conhecimento organizacional discutida por Nonaka e Takeuchi (1997).


8 CONTRIBUIÇÕES PARA ENSINO, PESQUISA, EXTENSÃO E GESTÃO


8.1 Ensino e formação profissional

A atuação docente no PRONATEC demonstra contribuição direta ao ensino profissional, especialmente em inclusão digital. A experiência pedagógica amplia a compreensão sobre o estudante, a organização do trabalho docente e a importância da tecnologia como instrumento de formação e inserção profissional.


8.2 Extensão e compromisso social

A participação no grupo “Mulheres na Mecânica: promovendo seu acesso” e a avaliação de projeto de extensão evidenciam envolvimento com ações que aproximam o IFPE da sociedade. Essas experiências reforçam competências de análise, cooperação e compromisso com inclusão, direitos e democratização do acesso à educação profissional.


8.3 Pesquisa e produção do conhecimento

A participação em grupo de pesquisa, a publicação e apresentação no EPEPE e o desenvolvimento de produto educacional formam um percurso coerente: inserção em ambiente de pesquisa, investigação e sistematização, comunicação científica e transformação do conhecimento em recurso educacional. O conjunto demonstra capacidade de produzir, difundir e aplicar conhecimento.


8.4 Gestão, orçamento, contratos e infraestrutura

As funções gratificadas, substituições e responsabilidades com fiscalização e TEDs evidenciam contribuição estrutural para o funcionamento institucional. A gestão administrativa cria condições para que ensino, pesquisa e extensão ocorram com infraestrutura, recursos, serviços e conformidade. O caráter transversal dessas atividades é especialmente visível na gestão do TED destinado ao refeitório estudantil, em que administração de recursos se conecta diretamente às condições de permanência e atendimento da comunidade acadêmica.


9 SABERES E COMPETÊNCIAS CONSOLIDADOS


Competência Evidências e Saberes mobilizados

  1. Gestão administrativa e operacional: Funções de Coordenação de manutenção/serviços (Organização, priorização, continuidade e controle.)
  2. Gestão orçamentária e financeira: Substituições em planejamento/orçamento e execução orçamentária (Leitura de processos, acompanhamento, responsabilidade financeira e articulação.)
  3. Gestão de contratos e instrumentos: Fiscalização contratual e gestão de TED (Conformidade, acompanhamento, prestação de contas e gestão de riscos.)
  4. Liderança e coordenação: FG-02 e substituições em departamentos/diretorias (Decisão, responsabilização, comunicação e coordenação de equipes.)
  5. Avaliação institucional: Participação na CPA (Visão sistêmica, análise institucional e melhoria contínua.)
  6. Gestão de processos seletivos: Vestibular e Rede Nacional de Certificadores/ENEM (Isonomia, padronização, sigilo, controle e responsabilidade.)
  7. Educação profissional: Docência no PRONATEC e produto educacional (Planejamento didático, inclusão digital e mediação da aprendizagem.)
  8. Extensão: Grupo Mulheres na Mecânica e avaliação de projeto (Articulação social, inclusão, análise e cooperação.)
  9. Pesquisa e comunicação científica: Grupo de pesquisa, artigo e apresentação no EPEPE (Investigação, sistematização, escrita e comunicação acadêmica.)
  10. Gestão do conhecimento: Produto educacional e produção científica (Conversão, registro e compartilhamento de conhecimentos.)


9.1 Reflexão sobre a prática

A principal característica do percurso evidenciado é a integração entre administração e finalidade educacional. As responsabilidades com manutenção, custos, orçamento, contratos e direção não aparecem isoladas do ensino: elas sustentam condições materiais e administrativas para o funcionamento da instituição. Da mesma forma, as experiências no PRONATEC, na extensão e na pesquisa ampliam a compreensão sobre os destinatários e os resultados das decisões administrativas.

Ao longo da trajetória, o conhecimento profissional deixou de se restringir à execução de tarefas e passou a envolver interpretação de contextos, coordenação, julgamento, produção de conhecimento e responsabilização por resultados. Esse movimento é compatível com a concepção de Le Boterf (2003) e Zarifian (2001): a competência torna-se visível quando o profissional mobiliza recursos para responder adequadamente a situações concretas e assume responsabilidade pelas consequências de sua atuação.


10 MATRIZ DE ADERÊNCIA E SÍNTESE DOCUMENTAL

A tabela a seguir sistematiza os critérios indicados nos próprios documentos apresentados. A pontuação definitiva e o enquadramento jurídico de cada comprovante permanecem sujeitos à análise da comissão avaliadora, especialmente quanto a unidade de medida, períodos computáveis, eventual sobreposição e suficiência documental.

Critério / Atividade/ Evidência ou Comprovação principal

  1. 1.3 Participação na Comissão Própria de Avaliação – CPA: Portaria nº 648/2016-GR
  2. 1.5 Processos seletivos, Vestibular e ENEM: Declaração Vestibular 2018.1 e históricos RNC/INEP
  3. 2.2 Atuação em ensino/extensão, PRONATEC – Inclusão Digital (84h) e grupo Mulheres na Mecânica: Declarações
  4. 2.7 Avaliação de trabalho/projeto de extensão na IX Mostra de Extensão Prof. Jessé Sena: Declaração
  5. 4.3 Fiscalização/gestão de contratos e instrumentos: Designações de fiscalização e Portaria IFPE nº 901/2026 – TED 16760
  6. 5.4 Substituições em cargos de Direção: Registros SIAPE e portarias de substituição oficial
  7. 5.5 Funções gratificadas: Registros funcionais e atos de designação/dispensa
  8. 5.6 Substituição Oficial de coordenações FG-01: Coordenação de Planejamento e Orçamento e Coordenação e Execução Orçamentária e Financeira
  9. 6.7 Participação em grupo de pesquisa: Grupo Organização, memórias e práticas educativas na EPT
  10. 6.10 Publicação científica: Anais do VIII EPEPE – ISSN *****-8153
  11. 6.11 Apresentação de trabalho científico: Certificado do VIII EPEPE
  12. 6.12 Produto educacional: Link para o produto educacional ProfEPT – 2022 publicado no repositório institucional.


10.1 Coerência do conjunto

O conjunto documental apresenta diversidade e complementaridade. O Requisito I evidencia participação institucional e responsabilidade em processos seletivos; o Requisito II demonstra atuação concreta em ensino e extensão; o Requisito IV registra responsabilidades técnicas relacionadas a contratos e instrumentos de execução descentralizada; o Requisito V evidencia confiança institucional e experiência gerencial; e o Requisito VI demonstra inserção em pesquisa, publicação, apresentação científica e desenvolvimento de produto educacional.

A coerência não decorre apenas da quantidade de documentos, mas da relação entre eles. A experiência administrativa produz repertório para compreender problemas institucionais; a participação em ensino e extensão aproxima a gestão da atividade-fim; e a pesquisa permite sistematizar, discutir e compartilhar conhecimentos. A trajetória, portanto, expressa convergência entre experiência, reflexão, produção de conhecimento e contribuição institucional.


11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este memorial demonstrou, com base nos documentos apresentados, uma trajetória profissional caracterizada por diversidade de experiências, ampliação de responsabilidades e articulação entre gestão e educação. O exercício de funções gratificadas e as substituições em coordenações, departamentos e diretorias consolidaram competências de liderança, planejamento, controle, tomada de decisão e responsabilização.

A atuação em fiscalização contratual e na gestão do TED destinado ao refeitório estudantil evidencia capacidade de acompanhar instrumentos administrativos de relevância institucional, articulando conformidade, recursos públicos e resultados. A participação na CPA e em processos seletivos reforça competências de avaliação, imparcialidade, análise normativa e compromisso institucional.

No campo da atividade-fim, a docência no PRONATEC, a participação em extensão, a avaliação de projeto, a inserção em grupo de pesquisa, a publicação e apresentação de trabalho científico e o desenvolvimento de produto educacional demonstram que os saberes profissionais foram também mobilizados para ensinar, investigar, avaliar, produzir e difundir conhecimento.

À luz de Le Boterf (2003), Zarifian (2001), Fleury e Fleury (2001), Schön (2000) e Nonaka e Takeuchi (1997), o percurso evidencia competência como construção dinâmica: conhecimentos e experiências são mobilizados em situações concretas, submetidos à reflexão e transformados em entregas, decisões, práticas e produtos compartilháveis. No contexto dos Institutos Federais, essa trajetória converge com a compreensão de Pacheco (2011) sobre a integração entre trabalho, educação, ciência, tecnologia e compromisso social.

Diante do conjunto de evidências, submeto este Memorial Descritivo à apreciação da comissão competente, requerendo o reconhecimento dos saberes e competências desenvolvidos no exercício profissional, observados os critérios, unidades de medida, limites e demais condições estabelecidos na regulamentação aplicável ao RSC-PCCTAE.


12 REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei nº 11.091, de 12 de janeiro de 2005. Dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação. Brasília, DF, 2005.

BRASIL. Lei nº 15.367, de 30 de março de 2026. Institui o Reconhecimento de Saberes e Competências para o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação. Brasília, DF, 2026.

BRASIL. Decreto nº 13.048, de 3 de julho de 2026. Estabelece critérios e procedimentos para a concessão do Reconhecimento de Saberes e Competências aos servidores ocupantes dos cargos do PCCTAE. Brasília, DF, 2026.

FLEURY, Maria Tereza Leme; FLEURY, Afonso. Construindo o conceito de competência. Revista de Administração Contemporânea, v. 5, n. esp., p. 183-196, 2001.

LE BOTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2003.

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de conhecimento na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

PACHECO, Eliezer. Institutos Federais: uma revolução na educação profissional e tecnológica. São Paulo: Moderna, 2011.

SCHÖN, Donald A. Educando o profissional reflexivo. Porto Alegre: Artmed, 2000.

SENGE, Peter M. A quinta disciplina. 29. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2013.

ZARIFIAN, Philippe. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2001.



TATIANA LIRA DE FREITAS

Assistente em Administração | SIAPE 2170345

Recife – PE

2026


Este memorial é parte integrante do processo de submissão de protocolo 2026RSC-CREC0100.