Memorial Descritivo
Memorial Descritivo
Eu, Natasha Priscila Bezerra Santos, presto meu serviço à sociedade como programadora visual do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco desde o inicio de 2014, quando ingressei no serviço público após aprovação como primeira colocada em concurso realizado no ano anterior. No entanto, minha história com a educação gratuita e de qualidade, e minha relação com esta instituição, começou muito antes.
Estudante de escola pública, Bacharela em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda (2010) como bolsista integral do Programa Universidade para Todos (Prouni) numa instituição privada. Anos depois, retornei às minhas origens na rede pública como discente no curso de Tecnologia em Design Gráfico pelo próprio IFPE (2015), ingressando através de ações afirmativas. As políticas públicas de educação não foram apenas etapas da minha formação, elas sempre atravessaram, acolheram e transformaram a minha história.
O meu primeiro diploma universitário abriu as portas para o serviço público. Por cerca de um ano, em uma jornada dupla de dedicação, conciliei o trabalho como servidora e os estudos como aluna de Design Gráfico no IFPE. Consciente da potência transformadora do conhecimento, continuei expandindo meus horizontes para oferecer um serviço cada vez mais qualificado à comunidade. Tornei-me especialista em Gestão de Marketing (Senac/SP, 2016), Mestra em Design (CESAR School, 2021) e, atualmente, sou Doutoranda em Antropologia com pesquisa em Antropologia Visual pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Longe de ser uma busca por realizações estritamente pessoais, minha inquietação e constante sede de capacitação — formal ou livre — nascem do amor pelo exercício da minha profissão como comunicóloga e designer. Sou movida pelo compromisso com a Educação, a Ciência e a Tecnologia, pilares fundamentais do IFPE e buscar a excelência no meu campo de atuação norteou estes doze anos de jornada.
Nesse sentido, ser servidora pública nesta instituição sempre envolveu algo muito maior do que a técnica de traduzir ideias em imagens. Envolveu compreender o papel da comunicação e do design na construção de sentidos, na mediação de relações e no fortalecimento de uma instituição pública comprometida com a transformação social.
Do traço à estratégia: a atuação no IFPE
Lotada na Reitoria desde o meu primeiro dia, dediquei-me a compreender a Assessoria de Comunicação (hoje Departamento de Comunicação) sob uma perspectiva integrada e estratégica. Ao longo dos anos, emprestei meu olhar e energia a diversos processos, projetos, programas e comissões, tais como: a organização de eventos institucionais, a comissão temática de políticas de comunicação do PDI, a fiscalização de vestibulares e a construção da Política de Comunicação do IFPE. Expandindo meu compromisso com os processos avaliativos da educação nacional, atuei também como certificadora do do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em duas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em 2016, desenvolvi para o IFPE o fluxograma e o roteiro da animação explicativa sobre a reserva de vagas, o sistema de cotas. A experiência sintetiza uma das dimensões que considero mais relevantes da minha atuação: transformar informações complexas em narrativas visuais acessíveis, contribuindo para que direitos e políticas institucionais possam ser compreendidos por diferentes públicos.
Minha participação e atuação em projetos institucionais, no apoio ao ensino, pesquisa, extensão e inovação reflete-se em contribuições diversas: atuação docente no curso FIC/jovem aprendiz de Editor de Projeto Visual Gráfico, promovido pelo Campus Olinda, ministrando quatro disciplinas; elaboração do Manual de Procedimentos e Normatização da Identidade Visual do IFPE – instrumento acessório à implantação da Política de Comunicação do IFPE; participação pontual da produção audiovisual; desenvolvimento de competências através de capacitações e participações em eventos.
Essas experiências ampliaram gradativamente minha compreensão sobre o papel do Design dentro de uma instituição pública de educação. Mais do que produzir peças gráficas, passei a atuar na articulação entre informação, identidade institucional, comunicação e experiência dos diferentes públicos do IFPE.
Entre setembro de 2017 e julho de 2019, assumi a responsabilidade de gerir a Assessoria de Comunicação do IFPE. Esses vinte e dois meses à frente da gestão não apenas aprofundaram minha visão sistêmica da instituição, mas me proporcionaram um valioso reencontro humano: uma aproximação efetiva com os campi e com os profissionais de comunicação da ponta. A experiência permitiu superar a rotina, por vezes mais reservada, do trabalho de design e compreender de maneira mais ampla as necessidades, os desafios e as potencialidades de uma instituição multicampi. Como gestora, busquei integrar os setores da Reitoria à comunicação sistêmica do IFPE, promovendo um ambiente institucional mais cooperativo e reafirmando o papel estratégico da comunicação.
Dessa fase, especialmente produtiva, nasceram marcos como a criação da Política de Comunicação, a consolidação do audiovisual como canal estratégico (com produtos como o SouIFPE, o IFPE Acontece e os Vídeos Institucionais dos campi Ipojuca, Olinda, Belo Jardim, Recife, Garanhuns, Barreiros, Afogados e Geral) e a reformulação da revista IFPE Acontece, que se tornou interativa e plural. Desenvolvemos ainda o Relato Integrado, um novo formato de relatório de gestão com narrativa visual focada tanto nos números quanto nos dados qualitativos.
Ainda que nem todas essas iniciativas tenham tido continuidade ao longo do tempo, trago comigo o orgulho de ter contribuído para semear uma mudança na cultura institucional. Naquele período, a comunicação passou a ser percebida de maneira mais evidente em sua dimensão estratégica e relacional.
Essa talvez seja uma das contribuições mais significativas que reconheço em minha trajetória: uma contribuição imaterial, que não se mede apenas por produtos ou indicadores, mas pela qualidade dos processos, das relações e dos vínculos construídos.
Pesquisa, olhar e pertencimento
No campo da produção e difusão do conhecimento, sigo conectando a prática profissional à investigação científica. Atualmente, integro o Laboratório de Antropologia Visual (LAV/UFPE) e sou autora de artigo publicado no DATJournal (Design, Arte e Tecnologia), fruto da investigação desenvolvida para dissertação de mestrado ancorada na análise semiótica. Afinal, o estudo das imagens é um campo que me atravessa pessoal, acadêmica e profissionalmente. O aprofundamento no Design Centrado no Humano foi a ponte que me levou às Ciências Humanas e ao doutorado em Antropologia.
Essa trajetória acadêmica não se encontra dissociada da minha atuação profissional. Ao contrário, amplia meu repertório para compreender imagens, pessoas, instituições e contextos, permitindo que a experiência acumulada no IFPE seja constantemente reelaborada à luz da pesquisa e que a pesquisa, por sua vez, encontre na prática profissional um espaço concreto de aplicação e reflexão.
Buscando tecer redes entre o saber acadêmico e a prática no IFPE, participei da produção do livro Assistência Estudantil e suas interfaces com os núcleos institucionais, atuei como parecerista ad hoc na avaliação de projetos e participei ativamente de eventos científicos institucionais e nas áreas correlatas à minha formação.
Vejo, portanto, a formação continuada, a pesquisa e a atuação profissional como dimensões complementares de uma mesma trajetória. Aprender, pesquisar, criar, comunicar e compartilhar conhecimento são movimentos que se retroalimentam e que, juntos, qualificam minha contribuição para o serviço público.
Considerações: comunicar, criar e transformar
Revisitar minha trajetória no IFPE para além do pleito do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) é um exercício de escuta de mim mesma e da minha história. Olhar para trás me faz perceber o quanto pude partilhar saberes, aprender com meus pares e colaborar, de diferentes maneiras, para o fortalecimento da educação pública. Minha trajetória reúne experiências de criação, gestão, ensino, pesquisa, comunicação e formação continuada, mas, sobretudo, revela um compromisso permanente com a instituição e com a qualidade do serviço público que presto.
Acima de tudo, sou profundamente grata pelas oportunidades que a instituição me proporcionou — desde a minha formação como estudante até a confiança depositada em mim para atuar como gestora. Esse caminho percorrido me dá a certeza de que o IFPE acredita no meu trabalho e no meu potencial.
Nesse sentido, enxergo que o design e a comunicação no serviço público, quando guiados pela empatia e pelo compromisso social, ultrapassam a dimensão estética e técnica para se tornarem instrumentos de mudança, podendo transformar vidas — a começar pela minha.