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Instituto Federal de Pernambuco

Processo de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC)
Memorial Descritivo

Apresento este memorial com o objetivo de descrever minha trajetória profissional no exercício do cargo de Psicólogo-Área do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Campus Cabo de Santo Agostinho, destacando as atividades desenvolvidas nos campos do ensino, da pesquisa, da extensão, da assistência estudantil, da inclusão, da gestão e da formação profissional. O percurso aqui relatado foi construído no cotidiano institucional, em articulação com estudantes, familiares, docentes, outros técnicos administrativos, gestores e representantes da comunidade externa. Desde 2020, minha atuação tem sido orientada pela compreensão de que o trabalho do psicólogo no contexto educacional não se restringe ao atendimento de demandas individuais. A Psicologia Educacional exige uma leitura ampliada das condições que interferem no acesso, na aprendizagem, na permanência e no êxito dos estudantes. Por essa razão, procurei desenvolver uma prática que articulasse escuta psicológica, trabalho em equipe multiprofissional, planejamento institucional, defesa de direitos, formação da comunidade acadêmica e participação na construção de políticas inclusivas. Uma das dimensões mais significativas de minha trajetória profissional foi a atuação no Núcleo de Apoio às Pessoas com Deficiência – NAPNE. Em junho de 2020, fui designado coordenador do Núcleo no Campus Cabo de Santo Agostinho. Entre as competências atribuídas ao NAPNE estavam a coordenação de políticas, programas e ações relativas ao acesso, à permanência e ao êxito dos estudantes com deficiência; o acompanhamento dos processos de inclusão; o desenvolvimento de projetos; a promoção da acessibilidade; e o levantamento de necessidades institucionais. O trabalho envolvia reuniões periódicas, planejamento de ações, avaliação de encaminhamentos, sistematização de demandas e apresentação das atividades às instâncias responsáveis pelas políticas inclusivas. Essa atuação contribuiu para que eu compreendesse a inclusão como um processo institucional permanente. Não se trata apenas de responder a necessidades individuais, mas de identificar barreiras pedagógicas, comunicacionais, atitudinais e organizacionais, promovendo mudanças que ampliem as possibilidades de participação dos estudantes. Durante o período de atividades pedagógicas não presenciais, participei da Comissão de Elaboração de Protocolo para a Educação Inclusiva em Meios Digitais. A comissão tinha como atribuição estabelecer diretrizes para os atendimentos especializados de pessoas com deficiência durante as atividades remotas. A experiência exigiu reflexão sobre acessibilidade digital, adaptação das práticas educacionais e garantia de direitos em uma conjuntura marcada pela necessidade de reorganização das atividades acadêmicas. Buscando qualificar essa intervenção, participei também de um ciclo de formação sobre estratégias e ações voltadas ao atendimento de estudantes com deficiência visual e cegueira no contexto das aulas não presenciais. A formação abordou tecnologias assistivas, audiodescrição, sistema braille, estratégias de atendimento e inclusão de pessoas com deficiência no mundo do trabalho. Minha participação na inclusão também assumiu uma dimensão administrativa e de planejamento. Em 2021, integrei a equipe responsável pelo planejamento da contratação de serviços de acessibilidade à informação e à comunicação, com possibilidade de utilização de tecnologias assistivas. Posteriormente, fui designado fiscal setorial titular do contrato destinado à prestação de serviços de tradução e interpretação de LIBRAS no Campus Cabo de Santo Agostinho. Essa responsabilidade envolveu o acompanhamento da execução do serviço, a verificação de sua adequação às necessidades institucionais e a contribuição para a garantia de acessibilidade comunicacional. Mais recentemente, passei a integrar a Comissão do Programa de Tutoria de Pares, vinculada à Divisão de Inclusão e Apoio às Pessoas com Deficiência (DAPNE). A Tutoria de Pares representa uma estratégia de apoio à participação, à aprendizagem e à convivência dos estudantes, fortalecendo práticas colaborativas no ambiente educacional. Essas experiências demonstram uma continuidade entre atendimento, planejamento, formação, gestão e acompanhamento das políticas de inclusão. Ao longo da minha trajetória, tenho procurado contribuir para que a acessibilidade não seja compreendida como uma medida isolada, mas como princípio orientador da organização institucional e das práticas educacionais.Outra dimensão estruturante de minha trajetória foi a participação em núcleos dedicados à promoção da diversidade e ao enfrentamento das desigualdades. Desde 2020, integro o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas – NEABI, inicialmente na condição de Psicólogo-Área. Minha participação foi renovada em diferentes composições do Núcleo, nos anos de 2021, 2022 e 2026, demonstrando a continuidade dessa atuação. O NEABI desenvolve atividades relacionadas à valorização das culturas negras e indígenas, à implementação da educação para as relações étnico-raciais, à formação de servidores, à promoção de cursos e eventos, ao diálogo com movimentos sociais e à articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Minha permanência no Núcleo expressa o entendimento de que o combate ao racismo e a construção de uma educação pluricultural são responsabilidades institucionais e também componentes fundamentais do trabalho da Psicologia na educação. Nesse contexto, em julho de 2020, elaborei e produzi o conteúdo da atividade audiovisual online “Racismo: o que eu tenho a ver com isso?”, integrante das ações locais realizadas durante o enfrentamento à pandemia. A atividade buscou favorecer a reflexão da comunidade acadêmica sobre o racismo e sobre a responsabilidade individual e coletiva em seu enfrentamento. Também participei, em diferentes períodos, do Núcleo de Estudos de Gênero e Diversidade (NEGED). As portarias de 2020, 2021 e 2022 registram minha participação em um grupo responsável por propor ações educativas, promover a equidade de gênero, divulgar direitos, contribuir para a utilização do nome social, combater práticas discriminatórias e articular políticas institucionais relacionadas à diversidade sexual e de gênero. A atuação nesses núcleos foi acompanhada por processos de formação continuada. Concluí o curso de Promoção e Defesa dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, com conteúdos sobre identidade de gênero, orientação afetivo-sexual, direito à saúde, educação, trabalho e renda. Participei ainda da Semana de Reflexões sobre Negritude, Gênero e Raça dos Institutos Federais, bem como de formação sobre o enfrentamento ao racismo religioso no Brasil. Essas experiências contribuíram para o desenvolvimento de uma atuação psicológica atenta aos efeitos das desigualdades, da discriminação e da violência sobre os processos educacionais. Na instituição de ensino, o sofrimento psíquico não pode ser analisado de maneira dissociada das condições sociais e das formas de exclusão que atravessam a vida dos estudantes. Assim, minha participação no NEABI e no NEGED ampliou minha capacidade de articular acolhimento, formação, prevenção e promoção de direitos. Minha atuação também se desenvolveu de forma integrada às políticas de assistência estudantil. Em 2021, integrei o Grupo de Trabalho das Equipes de Apoio aos Programas de Assistência Estudantil do IFPE, ao lado de profissionais de diferentes campi. Essa experiência favoreceu o diálogo institucional sobre os programas de apoio aos estudantes e sobre a necessidade de ações interdisciplinares voltadas à permanência e ao êxito acadêmico. A assistência estudantil exige uma compreensão ampla das condições de vida dos estudantes. Questões econômicas, familiares, sociais, psicológicas, pedagógicas e de acessibilidade frequentemente se apresentam de forma articulada. Nesse contexto, o trabalho do psicólogo consiste em colaborar para a análise das demandas, para a construção de encaminhamentos e para o desenvolvimento de ações que não individualizem problemas produzidos ou agravados pelas desigualdades sociais. Participei da criação e da recriação da Comissão de Implantação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Campus Cabo de Santo Agostinho, inicialmente em 2020 e novamente em 2022. A comissão foi responsável por estudar a implantação do Programa, analisar as condições de execução, colaborar com a chamada pública e contribuir para o acesso dos estudantes à alimentação saudável e equilibrada. Minha participação no PNAE reforçou a compreensão de que alimentação, aprendizagem, permanência e desenvolvimento estão diretamente relacionados. O direito à educação não se efetiva apenas com a oferta de vagas, mas depende da existência de condições materiais e institucionais que possibilitem ao estudante permanecer e participar das atividades acadêmicas. Também participei de equipe de planejamento para aquisição de fardamentos escolares, atividade relacionada às condições de acesso e participação dos estudantes no cotidiano institucional. Em 2025, aprofundei minha formação por meio da participação no 3º Seminário da Assistência Estudantil. No campo da atenção educacional, concluí ainda o curso “Atenção individualizada a estudantes e suas famílias”, que abordou busca ativa e projetos de literacia familiar no espaço escolar. Essas formações contribuíram para aperfeiçoar minha atuação junto aos estudantes e para fortalecer o diálogo entre instituição, família e rede de proteção. Além das atividades diretamente vinculadas à Psicologia, à inclusão e à assistência estudantil, participei de diferentes comissões de caráter institucional. Durante o período de emergência sanitária, integrei a Comissão Local de Enfrentamento ao Coronavírus do Campus Cabo de Santo Agostinho, na condição de coordenador de Psicologia. A participação nesse colegiado exigiu atuação em um contexto de elevada incerteza, no qual a instituição precisou reorganizar suas atividades e desenvolver medidas de prevenção, comunicação e acompanhamento da comunidade. A experiência reforçou a importância do planejamento coletivo, da responsabilidade institucional e do cuidado com a saúde física e psicológica dos diferentes segmentos da comunidade acadêmica. Em 2020, participei também da Comissão Organizadora de Eventos Institucionais relacionados à gestão de pessoas, responsável pelo planejamento, execução e avaliação de ações culturais e comemorativas do Campus. Em 2025, passei a integrar o Núcleo de Esportes, Lazer e Qualidade de Vida – NELQ, ampliando minha contribuição para atividades relacionadas ao bem-estar e à qualidade de vida da comunidade institucional. Essas atividades demonstram que minha atuação profissional ultrapassou os limites de um setor específico. Ao longo do exercício do cargo, participei de processos de planejamento, organização, acompanhamento de contratos, elaboração de diretrizes, gestão de projetos e avaliação de ações. Essa diversidade de responsabilidades permitiu desenvolver competências relacionadas à comunicação institucional, ao trabalho em equipe, à análise de processos, à gestão educacional e ao compromisso com os resultados das políticas públicas. Em 2022, passei a integrar o Núcleo 60+ do Campus Cabo de Santo Agostinho, criado para desenvolver ações relacionadas ao envelhecimento humano, à defesa dos direitos da pessoa idosa, à convivência intergeracional e à participação desse público nas atividades de ensino e extensão. Em 2026, minha participação foi renovada na nova composição do Núcleo. A aproximação com essa área foi acompanhada por formações específicas. Concluí os cursos “Garantia de Direitos e Atenção à Pessoa Idosa” e “Disseminadores dos Direitos da Pessoa Idosa”, que abordaram políticas públicas, redes de proteção, fortalecimento de vínculos, prevenção da violência e características sociais e demográficas do envelhecimento no Brasil. A participação no Núcleo 60+ ampliou minha compreensão sobre as relações geracionais e sobre o papel da instituição educacional na promoção de um envelhecimento ativo, na preservação da memória, na valorização das pessoas idosas e na construção de espaços de convivência entre diferentes gerações. No exercício do cargo técnico-administrativo, minha contribuição ao ensino ocorreu principalmente por meio do apoio aos processos educacionais, da formação da comunidade acadêmica, da elaboração de conteúdos, da participação em núcleos e da construção de estratégias de permanência e inclusão. As atividades do NAPNE, NEABI, NEGED, Núcleo 60+, Tutoria de Pares e assistência estudantil possuem caráter educativo e articulam conhecimentos psicológicos, pedagógicos, sociais e institucionais. Na extensão, minha atuação esteve presente na elaboração e realização de atividades abertas à comunidade, na participação em núcleos com atribuições extensionistas e na produção da live sobre racismo. A participação no I Colóquio Latino-Americano sobre Insurgências Decoloniais, Psicologia e Povos Tradicionais e no Fórum de Internacionalização dos Institutos Federais do Nordeste ampliou o contato com experiências desenvolvidas por outras instituições e com debates relevantes para a educação pública. No campo da pesquisa, minha contribuição mais diretamente documentada foi a atuação como avaliador no Eixo Temático Humanas IX do XVI Congresso de Iniciação Científica do IFPE. Essa atividade envolveu apreciação de trabalhos acadêmicos e participação no processo institucional de incentivo à iniciação científica. Além disso, os núcleos dos quais participei possuem atribuições expressas de incentivo à produção e à divulgação de estudos relacionados à inclusão, às relações étnico-raciais, ao gênero, à diversidade e ao envelhecimento. Ao longo da minha trajetória, tenho buscado manter um processo contínuo de formação. Além das capacitações diretamente relacionadas à inclusão e aos direitos humanos, concluí cursos sobre gestão de projetos educacionais, comunicação pública, produtividade, atenção aos estudantes e suas famílias e cuidado com a saúde no teletrabalho. Também concluí pós-graduação lato sensu em Psicopedagogia Institucional, com carga horária de 400 horas, formação diretamente relacionada à compreensão dos processos de aprendizagem, das dificuldades educacionais e das formas de intervenção institucional. Também me tornei Mestre em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco em 2025. Considerando os certificados apresentados, participei de mais de 390 horas de cursos, seminários, fóruns, colóquios e demais atividades formativas, além da pós-graduação de 400 horas. Essas formações não foram realizadas como um conjunto desconectado de títulos, mas como parte de um percurso voltado ao aperfeiçoamento das atividades desenvolvidas no cargo. Meu percurso no IFPE caracteriza-se pela articulação entre conhecimentos técnicos, experiência institucional e compromisso com a função social da educação pública. No exercício do cargo de Psicólogo-Área, participei da coordenação e da execução de políticas de inclusão, da assistência estudantil, da promoção da diversidade, da defesa dos direitos humanos, da elaboração de diretrizes institucionais, do planejamento de contratações, da fiscalização de serviços de acessibilidade, da organização de atividades educativas e da avaliação de trabalhos de iniciação científica. As atividades apresentadas demonstram uma atuação que não se limita ao cumprimento de tarefas rotineiras. Elas exigiram capacidade de planejamento, análise institucional, articulação multiprofissional, comunicação, formação continuada, tomada de decisão e produção de respostas adequadas a diferentes contextos. Também evidenciam a integração entre ensino, pesquisa, extensão, gestão e assistência estudantil, dimensões que constituem a missão dos Institutos Federais. A continuidade de minha participação em núcleos como NAPNE, NEABI, Núcleo 60+ e em comissões de assistência, acessibilidade e tutoria demonstra que o conhecimento construído ao longo do meu percurso foi incorporado às práticas institucionais. Trata-se de um saber desenvolvido no exercício profissional, por meio da experiência, da formação, da reflexão crítica e do trabalho coletivo. Diante do apresentado, considero que as atividades realizadas justificam o nível de RSC-PCCTAE pleiteado, pois revelam o desenvolvimento e a aplicação de saberes e competências que ultrapassam a execução estrita das atribuições básicas do cargo. Minha trajetória demonstra compromisso permanente com a inclusão, a permanência e o êxito dos estudantes, com a democratização das relações educacionais e com o fortalecimento do IFPE como instituição pública, socialmente referenciada e comprometida com a transformação da realidade.

Este memorial é parte integrante do processo de submissão de protocolo 2026RSC-CCSA0004.