Memorial Descritivo
À
Comissão de Avaliação para a concessão do Reconhecimento de Saberes e Competências
(RSC-PCCTAE VI)
Memorial Descritivo de Maria Aparecida Cruz
Eu, Maria Aparecida Cruz, matrícula SIAPE 1030093, inicio o meu memorial descritivo com a minha vida profissional e institucional desde a entrada no Serviço Público Federal, quando iniciei minha vida pública no dia 20 de dezembro de 1993, ainda na Escola Técnica Federal de Pernambuco, na UNED Pesqueira. Foram 18 anos de convivência e muita aprendizagem ao longo desses anos. Assumir a Setor de Apoio da Atividade Extraclasse, Coordenação Discente, Setor Pedagógico, Coordenação do Proeja. Foram coordenações desafiadoras, considerando por serem as minhas primeiras, tanto no setor público quanto na educação.
Participar da inauguração de um campus é marcante para a vida toda. Estava lá na sua transformação para o Centro Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Pernambuco (CEFET). Naquele Campus foi quando tomei pulso e me adentrei para o campo da educação, o qual já havia abraçado ao escolher o curso de Pedagogia, quando só concluiria o curso no ano seguinte.
Foram longos anos de experiências, de lutas por uma escola pública, gratuita e de qualidade, a luta pela inclusão, melhores condições de trabalho, de organização e de uma constante luta por uma política pública para o acesso, permanência e o êxito dos estudantes. O curso de Pedagogia foi um grande aliado para que eu fosse convidada para assumir os cargos de coordenação, como: Chefe da Coordenação da Atividade Extraclasse, setor que articulava e organizava toda a logística da construção à finalização junto aos professores e estudantes. Assim, fui absorvendo com novas experiências e acumulando novos saberes e competências para dar conta de tantas demandas relacionadas aos professores e aos estudantes.
Atuei como Coordenadora Discente, trabalhando diretamente com os estudantes, foi um trabalho muito significativo, pois aprimorei com eles a escuta ativa, desenvolvendo vários trabalhos, tanto acadêmico como artístico e cultural. Nesse sentido, montamos um grupo de teatro, professores montaram grupo de coral, outros com grupo de monitoria, grupo de estudos, enfim, várias outras atividades.
Devido a novas demandas, fui convidada pela Professora e Gerente de Ensino, ProfeSsora Bernardina Sousa, para assumir a chefia do Setor Pedagógico, voltado mais especificamente ao auxílio dos professores no ensino e extensão. Foram muitas discussões, análises de documentos, preparações de reuniões pedagógicas, confecção de horários, organização de estudantes para os estágios, reformulação do PPCs, orientações para a elaborações de provas, participação em banca de TCC, entre outras atividades, todas oriundas do setor pedagógico.
Tive oportunidades de vivenciar várias experiências que foram se somando durantes os 18 anos no campus Pesqueira, as quais foram me fortalecendo enquanto servidora pública, responsável e comprometida com o meu trabalho. Entre várias experiências, apresento algumas delas para endossar este memorial: Organização da I Mostra de Ciências e Artes, um evento inesquecível envolvendo a gestão, docentes, servidores, servidoras, estudantes, como também o público externo. Foi, de fato, um grande acontecimento para a cidade; Festa Junina, realizada com e para os estudantes; bancas de avaliações de trabalhos organizadas pelos docentes; Concurso de Professores Substitutos; Exame de Seleção; Reformulações documentais; Plantões Pedagógicos; Simulados para os estudantes em ano de conclusão; Festa do dia dos estudantes, com várias gincanas; Recepção aos novos estudantes para o ano letivo; Organização de visitas técnicas; Recepção aos novos docentes e servidores(as); Organização de todas as atividades do calendário acadêmico; Comissão do Projeto de Alimentação dos Estudantes; Preparação dos estudante para o campo de estágio da Moura e da Celpe; Acompanhamento dos estudantes de Pesqueira para a Cidade de João Pessoa para participarem da SSA; Trabalho em conjunto com a UFPE, para recepção dos nossos estudantes carentes na Casa dos Estudantes; entre outras demandas.
Com a extinção do Setor Pedagógico, assumi novamente a Coordenação Discente, ora com mais experiência, mas sempre com desafios.
Com o início do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), criado pelo governo federal em 2005, que junta a educação básica (ensino fundamental ou médio) com uma formação profissional ou técnica para pessoas que pararam de estudar e são mais velhas, para mim foi uma das experiências mais importantes. Coordenar este projeto de inclusão me encheu os olhos. Antes da sua implementação, tivemos algumas capacitações pelo MEC, encontros, cursos. Eu coordenei o Curso de Gestores do Proeja, além de ter sido também cursista. Participei e concluí a especialização em Proeja no Campus Recife, considerando que, infelizmente, não formamos turmas no Campus.
Foi mais um desafio, muitas reuniões preparatórias para organizar toda a escola para receber esses novos alunos, que já têm uma negação da própria vida, e que por várias necessidades deixaram a escola, seja para trabalhar, questões de saúde na família, casamento, gestação, pobreza, dificuldades em conciliar o trabalho com a escola. Ainda nessa implementação, tivemos um papel de escolhas e convencimentos dos professores que eram nossos aliados pedagógicos, aqueles que poderiam fazer esse trabalho desafiador, ao mesmo tempo, acolhedor. Foram vários projetos e acompanhamentos coletivos
Essa experiência fechou o meu ciclo no Campus Pesqueira, com a sensação de dever cumprido enquanto servidora pública, sempre lutando por uma escola pública, gratuita e de qualidade.
Ao ser removida do Campus Pesqueira para o Campus Recife, cheguei exatamente no período da transição, do CEFET para IFPE – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco. Fui, então, convidada pela Pró-Reitora, Tereza Dutra, para fazer parte da Pró-Reitoria de Ensino (PRODEN), onde passei mais de 02 anos, saindo para cursar o mestrado. Foram também novos desafios, pois tudo era novo para todo instituto. Paralelamente, atuei também na Educação a Distância. Depois fiquei definitivamente na PRODEN. Foram novas atribuições, uma vez que passamos a ser sistêmicos, tudo em outras dimensões, com o olhar mais abrangente. Participamos de vários encontros, novas sistematizações, pesquisas, palestras, nova equipe de trabalho. Foi algo novo e muito mais desafiador. Na PRODEN, fui Coordenadora do Fórum Proeja, participei da equipe gestora do PPPI 2012, e todas as questões logísticas eram de minha responsabilidade. Fui organizadora do Primeiro Encontros dos Cursos de Licenciaturas, com os estudantes de cada campus, orientação dos mais diversos projetos voltados ao estudante.
Depois da minha volta, fui lotada na Diretoria de Assistência ao Estudante (DAE), na qual me encontro até hoje. Nesse setor, também faço parte da logística dos vários projetos que a DAE realiza, seja com ou para os estudantes; Seminários com os Gestores da Assistência, que têm seus encontros anuais; Círculo dos Afetos, Coordenado pela Psicóloga Rossana Rameh; participei como Coordenadora do Projeto “Gênero e Orientação Sexual: IFPE em respeito à diversidade”, no qual publiquei um artigo, aprovado no Seminário de Direitos Humanos no Uruguai no ano de 2017; Coordenei o Projeto Eleitor do Futuro, em parceria com a Justiça Eleitoral, além de trabalhos direcionados aos grêmios. Esses trabalhos aconteceram de forma sistêmica.
Nesse caminho enquanto servidora pública, trabalhando em uma instituição de ensino, precisei realizar várias formações em serviço, em paralelo ou nas licenças e capacitações, como, por exemplo: cursos de pós-graduação lato sensu em Supervisão Escolar (Universo), Psicopedagogia (UPE), Proeja (IFPE) e em Gênero, Desenvolvimento e Políticas Públicas: práticas educacionais, na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Posteriormente, concluí o Mestrado em Ciências da Educação pela Universidad Interamericana, no Paraguai, com diploma reconhecido pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), desenvolvendo pesquisa sobre a política da Educação Profissional integrada à Educação de Jovens e Adultos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Mais recentemente, concluí o Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT), no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – Campus Olinda, investigando as narrativas de mulheres integrantes dos Núcleos de Gênero e Diversidade e seus processos de empoderamento feminino na Educação Profissional e Tecnológica.
Assim, finalizo este Memorial Descritivo reafirmando meu compromisso ético, político e profissional com o ser e o fazer no exercício das minhas atribuições. Ao longo da minha trajetória, busquei pautar minha atuação pelo respeito, pela responsabilidade, pelo diálogo e pela permanente disposição para aprender, refletir e contribuir com a educação pública.
Renovo o compromisso de continuar exercendo minhas funções com dedicação, responsabilidade e respeito aos princípios que orientam o serviço público federal, honrando meus direitos e cumprindo meus deveres com integridade, sensibilidade e compromisso social. Sigo convicta de que cada experiência vivida fortalece minha identidade profissional e amplia minha responsabilidade com a construção de uma educação pública, democrática, inclusiva e de qualidade, colocando-me sempre aberta aos novos desafios, às aprendizagens e às possibilidades de transformação que o exercício da minha profissão proporciona. Submeto o presente documento à apreciação da Comissão de Avaliação para a concessão do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC-PCCTAE VI).
Recife, 04 de agosto de 2026.